sexta-feira, 2 de maio de 2025

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR | 1 DE MAIO

Com uma história de quase século e meio, o 1.º de Maio em Portugal só se comemorou plenamente após a Revolução de Abril de 1974. Foi um momento de libertação, um grito de justiça que ecoou pelas praças e ruas do país, onde milhares de trabalhadores puderam finalmente celebrar, reivindicar e exigir uma sociedade mais justa.

Infelizmente, os servos da gleba nunca tiveram fim. A exploração assume novas faces, mas persiste implacável. A precariedade laboral, os baixos salários e a desigualdade continuam a corroer as aspirações de tantos. O sonho de uma democracia plena, capaz de garantir dignidade para todos, esbarra em barreiras estruturais que parecem intransponíveis.

Cinquenta e um anos depois, esta alegada democracia mantém uma pobreza incompreensível e inaceitável. O crescimento económico beneficia poucos, enquanto muitos lutam para sobreviver num sistema que perpetua exclusões. O 1.º de Maio permanece assim mais do que uma comemoração — um lembrete da luta contínua, da necessidade de questionar se a liberdade conquistada há meio século se traduz, de facto, em justiça social para todos.

© Fernando Alagoa

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