“Ninguém escreve ao coronel”, título de uma obra de Gabriel García Márquez, ecoa hoje com outra ressonância. A data assinala o Dia Mundial da Escrita à Mão, esse gesto antigo que vai resistindo ao tempo.
A liberdade também celebra o seu aniversário — o Dia Mundial da Liberdade — e convida-nos a revisitar o artigo 1.º da DUDH, ele próprio nascido do traço humano: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
Ainda há por aqui quem mantenha o hábito? Cartas de amor, talvez ridículas. Cartas de Paris, quem sabe.
Porque escrever à mão é mais do que comunicar: é deixar que o pensamento abrande, que a memória se ilumine, que a liberdade encontre espaço para respirar. Num mundo que corre depressa demais, talvez a verdadeira revolução seja esta: continuar a escrever — mesmo quando parece que já ninguém escreve ao coronel.
© Fernando Alagoa

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