Há males que vêm por bem — uso o ditado com reservas, mas a ideia merece destaque. Se há algo que esta guerra nos pode ensinar, é que negociar com ditadores quando convém e descartá‑los quando interessa não é apenas uma postura ingénua: é perigosa. Mais importante ainda, creio que está na hora de o mundo investir seriamente em investigação que permita encontrar alternativas viáveis aos combustíveis fósseis. O planeta agradece, e limita‑se o poder de líderes que não hesitam em pôr o mundo de rastos para servir os seus próprios interesses.
A verdade é que, nestes tempos estranhos, percebemos que tanto os ditadores como certos líderes das democracias, quando desprovidos de bom senso, agitam o mundo ao sabor dos seus caprichos, ignorando o bem da casa comum. As novas evidências — no caso europeu, uma dependência energética que há muito se tornara insustentável — apenas confirmam o óbvio: existiam alternativas que se impunham há décadas. Teria sido ajuizado procurar outras, cuja investigação já demonstrava serem possíveis. Porém, os interesses ligados ao petróleo preferiram perpetuar a dependência, alimentando um sistema que nos mantém vulneráveis e politicamente reféns. Ignorá‑las foi um erro estratégico; persistir nesse erro seria uma irresponsabilidade histórica.
© Fernando Alagoa

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