Num mundo ideal, seríamos todos como livros numa estante iluminada: diferentes por fora, surpreendentes por dentro e igualmente dignos de ser lidos. Ainda assim, há quem prefira julgar um livro apenas pela capa. Comentam a cor da lombada como se isso dissesse algo sobre as histórias que ela guarda, como se a superfície fosse mais importante do que o enredo.
É curioso, quase trágico, porque qualquer leitor sabe que a magia vive nas páginas: nos capítulos que se entrelaçam, nas ideias que se cruzam, nos mundos que se abrem quando se tem a coragem de folhear. E, no entanto, alguns continuam a agir como se a grande biblioteca da humanidade tivesse prateleiras proibidas, zonas onde certos livros “não deveriam estar”.
O mais irónico é que os próprios livros, esses mestres silenciosos, convivem lado a lado sem reclamar da cor do vizinho, sem exigir que todos pertençam ao mesmo género literário. Não se incomodam com diferenças; pelo contrário, enriquecem-se mutuamente. Talvez seja pedir muito que nós, humanos, alcancemos a maturidade… dos livros.
Hoje, no Dia Internacional contra a Discriminação Racial, vale a pena lembrar o óbvio que tantos insistem em esquecer: a diversidade não é um problema — é a biblioteca inteira.
Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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